26.2.06

Folias de Momo

Sexta-Feira. 24 de fevereiro de 2006. Cinco horas da tarde. Levando em conta que a horda de bárbaros migrando para a farofada anual na Região dos Lagos ainda não deve ter largado o “sirviçu”, creio que dá tempo de ir e voltar da Tijuca são e salvo. O simpático gordinho que me atendera de manhã disse que meu carro voltava da revisão “lá pelas 4:30”. Chego lá às 17:15, pego o carro, cruzo o túnel e chego em casa ainda em tempo para a novela das seis. Ledo engano. Ao chegar na auto-mecância sou informado que por um problema clássico na rebimboca da parafuseta minha caranga só será liberada as seis em ponto. Gordinho filho de uma puta. Nada me resta a fazer a não ser ler o Manual do Usuário Ford 2006, na salinha com ar-condicionado e água grátis. O relógio bate seis horas no exato momento em que extermino o décimo sétimo copinho d´água (o calor nem tava forte ali dentro, mas aqueles putos iam me pagar de alguma forma pelo atraso). Vou pela quinta vez ao balcão e sou informado que meu carro acabara de chegar. Dou a partida no bichão e saio em disparada. Se tudo correr bem, chego em casa antes que os foliões de escritório tomem as ruas.
Ao dobrar a primeira esquina percebo que meu drama estava apenas começando, e que eu não imaginava as proporções momescas que ele iria tomar. Meu conhecimento da Zona Norte da cidade limita-se à Tijuca, mesmo assim apenas o trajeto da minha casa a do meu primo, sem escalas. Se um belo dia resolvem fechar uma das ruas eu corro o risco de ir parar em Minas Gerais. Tranqüilo, deve ter alguma placa indicando Túnel Rebouças. Não tinha. Passo em frente ao histórico clube do América Tênis Clube, admirado por nunca ter visto a sede de tão importante clube carioca e ao mesmo tempo assustado de constatar que decididamente não fazia uma puta idéia de onde me encontrava. Segunda medida: pedir informação. “Xiiii, aqui é complicado...” me confidencia o negão que enchia meu tanque com o equivalente em álcool a 5 reais, tudo o que me restava na carteira. “Você pode tentar pegar a Pça da bandeira.” Opa! Esse nome eu pelo menos já ouvi falar. Deve ser mole. Sigo a indicação do meu camarada frentista e abro um sorriso ao identificar o trajeto conhecido como “voltando do Maraca”. Beleza, já voltei daqui várias vezes. Tudo bem que geralmente de carona, mas estou reconhecendo claramente o caminho. Exceto por aquele viaduto ali a frente. Por cima ou por baixo? Um amigo uma vez disse que túneis foram feitos para cortar caminho, portanto, se estiver perdido e se deparar com um, fique tranqüilo: você está no caminho certo. Adaptei esta suspeita lógica para a versão viaduto e toquei pra cima confiante. Leitor, atenção! Se estiver perdido JAMAIS suba um viaduto. Eles são como aquela tábua que aparece nos navios pirata. Você vê que está indo se foder mas não tem como recuar. É desesperador, eu lhes digo. A cada metro que seguia naquela porra eu calculava o quanto estava me fodendo. Uma olhadela pro medidor de combustível e achei prudente desligar o ar por precaução. Desci em um lugar bastante nefasto, eu diria. Aquele aspecto de centro da cidade, só que mais ermo, mais sujo, e mais longínquo. As placas mais familiares apontavam para o Centro ou Linha Amarela. Tão reconhecíveis quanto indesejáveis. Decidi tentar seguir para o centro. Sabia que de alguma forma poderia tentar alcançar o Aterro do Flamengo e chegar em casa. O tempo já não me afligia mais. Eu só queria sair daquele inferno.
Ruas fechadas me fizeram contornar o prédio dos correios, algo que em meu imaginário se assemelhava as ruas que me levariam ao Aterro pareciam cada vez mais distantes. Outra rua fechada por PMs. Pessoas fantasiadas a pé passavam aos montes nas calçadas e já tomando as ruas. Cada vez mais carros se uniam ao meu naquele trânsito. O calor estava foda. E o pior: não havia caminho a escolher. Eu agora estava sendo escoltado a força em direção a Terra do Nunca. Se minha situação fosse um enredo de Escola de Samba, ele seria: Os devaneios da burguesia no Inferno de Dante Tropical. O trânsito seguia a 20km/h. O combustível marcava apenas um ponto. No checkpoint seguinte, resolvi apelar: “Seuguarda, to fudido de gasolina aqui não dá para liberar a passagem não?” O meganha nem me olhou, fez que não com a mão como quem diz “se fode aí”. Malditos porcos fardados. Marginais assalariados. Corruptos da segunda divisão. Ao retomar meu lugar da fila notei que o trânsito não andava mais. Minha gasolina ia embora rapidamente. O calor era intenso e as pessoas naquela humilde Vila em sei-lá-onde-eu-estava sentavam suando na calçada admirando aquela peregrinação de carros. Era como se ali estivesse o desfile de bacanas ao qual assistiam anualmente, já que não tinham acesso aos camarotes de cervejaria ou sequer as arquibancadas da Sapucaí. Quando percebi que ao lado de meu Eco Sport o carro melhorzinho era um Escort XR3 com a logo da Audi, achei que seria uma boa manter a janela fechada. Suando, sem gasolina, no trânsito. As placas mostravam lugares que eu só conhecia de Funks Proibidos. Quando, ao longe, vislumbrei um caminhão de lixo entrando na fila que se formava a minha frente entreguei os pontos. Amaldiçoei o Carnaval. Amaldiçoei meu irmão que me fizera buscar o carro na oficina em seu lugar. Amaldiçoei John Ford ou sei lá quem tenha inventado o automóvel. Joguei as mãos para o céu e deixei meu destino nas mãos de Deus.
Uma senhora em um Fiat Uno ao meu lado abre uma fresta em sua janela e com os olhos esbugalhados me pergunta: “Sabe se isso aqui vai dar na Zona Sul?” Eu me esforço para, com uma expressão, responder: “Minha querida, mais fodido do que eu você não está.” Ela parece entender o recado. Resignada ela vira-se para a frente tristonha, quando de repente avista uma placa e me aponta feliz como uma criança que achou a saída do Labirinto. Avenida Presidente Vargas! Prometo aos meus orixás que se em menos de meia hora eu conseguisse chegar até aquela mítica rua do centro da cidade eu votaria nos descendentes de Getúlio até o fim de meus dias. Dito e feito. Salvo o ocasional bloco de foliões maltrapilhos consegui seguir em frente em ritmo normal. O trânsito melhorava a medida que deixava para trás aquela Marcha de Pingüins cor de jambo, se dedicando a grande festa da carne. Carne de gato e de polpudas folias, mulatas da Acadêmicos de Vila Mimosa ou daí pra baixo. Passando por Copacabana, céu já escuro abro finalmente a janela e deixo o ar entrar. Ainda não estava tecnicamente na Zona Sul, mas já me sentia seguro e relativamente a salvo. Em Ipanema o mundo já parecia mais colorido. E, quando finalmente cheguei no Leblon o ar parecia mais puro e a vida mais bela.
Cheguei em casa, liguei o ar e prometi a mim mesmo: Carnaval, só no camarote da Brahma. Negão parrudo, só empurrando carro alegórico. E mulher suada, só na minha cama. E tenho dito.

22.2.06

Genial


Mas já aviso que no site tem uns bem pesados. Mas igualmente engraçados.

17.2.06

Meu candidato no carnaval!

Rocinha
Felicidade não tem preço



Eu sonhei com um pote de ouro
Meu lindo tesouro
Pobreza nunca mais
Sonho de menino, virei um grã-fino!
De quina pra lua estou em cartaz
O jogo da vida aprendi a ganhar
Adeus pindaíba, chega de chorar!
Oh! Felicidade me diz o teu preço
Eu sei que mereço e posso pagar

Bem-me-quer, meu bem querer!
Vou comprar seu coração
To pagando por um beijo
Saciando o meu desejo no baú da ilusão
Sou o dono do mundo
Meu tempo é dinheiro, eu quero investir
Nessa ciranda onde a grana fala alto
Lá no céu tô perdoado, já paguei sem refletir!
Mas a realidade da desigualdade
Me faz despertar
Não quero essa falsa alegria
Chega de hipocrisia, pois a vida é muito mais
A felicidade não tem preço
Hoje reconheço que a riqueza se desfaz!

Eu quero é viver, a vida gozar!
Saber ser feliz e aproveitar
Rocinha encanta e mostra a verdade

15.2.06

Brokeback Mountain, meu candidato ao Oscar!



Poderia muito bm se chamar "Crônica de um Amor Impossível" esta obra-prima de Ang Lee. Este épico gay acompanha por décadas o drama pessoal de Ennis Del Mar e Jack Twist desde seu encontro na montanha Brokeback.
Se ainda hoje é extremamente complicado para um casal gay adotar uma criança, oficializar sua união civil ou manifestar carinho em público, imagine sendo um cowboy texano nos anos 50. Tudo estava contra eles. Aquele amor era algo totalmente inconcebível naquele cenário social e naquela época. Mas aconteceu.
A beleza natural estonteante do local serve de contraponto ao poder do sentimento que arrebata esses dois vaqueiros, interpretados de forma magistral por Heath Ledger e Jake Gylenhall. Uma força da natureza, como a que faz os salmão nadar rio acima para a desova ou os pinguins atravessarem as agruras do ártico de volta as suas famílias. Escolha? O que me faz mais uma vez pensar sobre a origem biológica e não sociológica do homossexualismo. Mas isto é papo para outro post.
Este post é só para dizer que mesmo um machão incorruptível como eu se sensibilizou com a história do casal de Brokeback Mountain. E olha que rola pegação gay e sexo entre marmanjos na película! Chego a confessar que, hoje, engrosso a torcida, junto de Bruno Chateaubriand e André Ramos, para que o filme seja o grande vencedor da presepada do Oscar desse ano.
Quem sabe? Vai que dá a louca nos reacionários velinhos judeus de hollywood e eles dão a estatueta principal para o filme. ele então ganha ainda mais exposição na mídia, atrai mais espectadores e abre a cabeça de milhares de preconceituosos em todo o mundo.
ps: a trilha sonora é uma das melhores já produzidas. Após rápida pesquisa, me dei conta de que o responsável por esta, Gustavo Santaolalla, também trabalhou nos excelentes Diários de Motocicleta, do Walter Salles, e 21 Gramas.

13.2.06

É Campeãããããooooo!!!! Fogooooooo!!!!!!!!!




(Para cantar no ritmo da música "Poeira", de Ivete Sangalo):
Romárioo ooo ooo
Romário ooo oooo
Romáriooo
CHUPA MEU CARALHO!!!!!!

12.2.06

O que é o Quinto Andar?

Ultimamente tenho ouvido muito, muito mesmo, o coletivo de rap Quinto Andar. Não é nenhuma novidade, eu sei. Já conheco De Leve e sua gangue ainda na época que Marechal fazia parte da turma. Antes mesmo até dele ter virado hype underground internético e sido alçado a showzinhos cult na Melt e destaque até no Tim festival de São Paulo, levando a "carioqueice" estilo Nikiti City para além das terras de araribóia. Acontece que só nos últimos dias (ou semanas) tive acesso ao último CD(não dá mais para dizer que é novo), lançado pelo grupo, o muito bem produzido "Piratão". As letras amadureceram e a veia mais politizada de De Leve ganhou destaque em relação a sua faceta mais irônica/ escrachada. Mas a parte política não é tão partidária ou esquerdista-radical como Rage Against, é uma parada mais para alternativas anti-capitalistas tipo adbusters, livrinhos da Conrad etc. O lance agora puxa mais para manifestos anti-EUA ou a favor da pirataria do que hinos em defesa do sexo com mulheres menstruadas ou a favor do estilo largado de ser.
Enquanto vou ouvindo aqui destaco alguns trechos.

Rap do Calote
Ino pra boate em que o dj é amigo pq tá sem
Um conto no bolso, entra de graça e leva o amigo também
Fica n´aba da cerva então trata ele tão bem
E pega de quem larga em cima do balcão
Dose de vodca na boate com olhar de falcão

A 1 passo do paraíso
necessitado e obcecado, contra todo o pecado
sou iluminado, deus mostrou o caminho eu entendi o recado
é o que veremos, pois tudo que queremos são bens terrenos
venenos consomem a vida e nem terrenos teremos
...
tem um martelo e um prego sem emprego na sua cidade
ou esmaga ou esmagado, passando necessidade
sou um refém da vida, e vou morrer um refém que sabe
que o martelo só faz encravar o prego na sociedade
que se fodam as verdades, isso só o que muitos sabem
e sabem apenas metade, a mente poucos a abrem
e quando abrem é tarde, é igual o navio que parte
os corformados morrem de infarto, ao 50 de idade

Contra o Tempo
Agora entendo qdo diziam pra mim: "te conheci deste tamanho!!"
O tempo passa e parece que nada muda
Só os pensamentos ruims que germinam e dão muda
Já o meu tempo eu gasto ligando a tv e vendo
Que é melhor eu desligar pra tá lendo, pra um poco depois estar escrevendo
Trocando idéias e fazendo músicas pra não perpetuar a ignorância que andam fortalecendo

Esse Planeta
Vai aprendendo a lutar 40 anos e tô perdendo
Só porque eu sobrevivo não quer dizer que eu tô vivendo
Não entendo, trabalho só pra ficar me mantendo
E ainda não comprei metade daquilo que tava querendo
Mas eu só tento, como passa rápido meu tempo
E quando eu era jovem ele parecia passar tão lento
Foi um momento que ficou pra trás junto com o vento
Eu lamento, ficou guardado no pensamento...
Eles investem em diversão pra gente não perceber
Mas não dá, com fila em banco em dia de tu receber
Se estancar, uma luta ei sei como é que eu vou proceder
Eu vou tá, no meio do povo e a gente não vai ceder
Porque tá injusta a situação e a nação aguarda melhora
Mas ainda tem que dar propina pro guarda
O mundo é conservador se dizendo de vanguarda
Proíbe maconha mas não proíbe abuso com farda
Quer dizer que não pode atacar israel?
Mas pro timor leste eles logo arrumam um papel
A resosta veio e caiu a primeira torrre de babel
Eu vi ao vivo com café e rosquinhas mabel

Melô da Propaganda
A coca me ligou, convidou pra fazer propaganda
Chamando um amigo que não podia ser gordo ou preto igual em Uganda
Estranho, a bebida engorda, e é preta igual carvão
Qual o problema dum preto representá-la então?
Casas bahia, primeiro cheque pré
Depois nome no spc, que soh aumenta seu cc
Não abre conta no bc, tá marcado igual pc
Mas se eles que roubam você , entao você entra num pc
Porque não tem mpc, baixa programa de crack
Escreve contra tudo que dizem certo e vai pro ataque
Rouba mp3 e é a favor de todo tipo de troca
Cansado de demagogia, e de lei que só sufoca
Até quicê manda uma piroca, aí que nego se toca
Que ninguem mais aceita o que só desemboca
Nos cofres da sony e da universal
Que investem em jabá e talentos que regravam música internacional
Ou em trio adolescente que tem atitude boçal
Enquanto quem manda bem ainda come comida sem sal
Mas tô legal porque no mundo pop toda banda
Não faz mais single só investem em jingle pra propaganda

Melô do Piratão
Eu tenho zezé di camargo, klb e kelly key
Forró, pagode, hiphop, até new age eu tenho aqui
Vou vender, dvd, se quiser é só pedir
3 é 10 se não tocar, amanha eu tô aqui
Meu cd é de qualidade tem até selo do inmetro
Os polícia a gente compra, dá 10 conto e passa reto...
porque tu é fresco, compra tudo caro em loja
Compra até açúcar diet e nem usa óleo de soja
Se tu tá desempregado igual a toda a nação
Pra que comprar original quando tem o piratão?


E muitas outras....
Agradecimentos a Denis Kuck que me passou as músicas que eu não tinha por msn.

3.2.06



Yoshimi Battles the Pink Robots Pt. 1

Her name is Yoshimi - she's a black belt in karate
Working for the city - she has to discipline her body -
Cause she knows that it's demanding to defeat these
Evil machines - I know she can beat them -

Oh Yoshimi
They don't believe me
But you won't let those
Robots defeat me
Oh Yoshimi
They don't believe me
But you won't let those
Robots eat me

Those evil natured robots - they're programmed to
Destroy us - She's gotta be strong to fight them -
So she's taking lots of vitamins - cause she knows that
It'd be tragic if those evil robots win - I know
She can beat them -